Fetraf-Sul Condena Monocultura e Transgênicos

 

O Brasil estará cometendo um erro de estratégia econômica se passar a incentivar a produção de soja transgênica em detrimento da convencional”. A afirmação foi feita hoje pelo coordenador geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, Altemir Tortelli, durante a 1ª. Conferência do Fórum sobre Soja Sustentável.

Segundo Tortelli, há uma demanda crescente no mercado internacional e, sobretudo no mercado europeu, pela soja convencional. “A sociedade está exigindo produtos alimentícios mais saudáveis e estamos negociando com países europeus dispostos a pagar até 10% a mais pela soja não transgênica” – revela o coordenador. Na opinião dele, investindo na soja convencional, o Brasil só tem a ganhar, visto que estará concorrendo praticamente sozinho num mercado privilegiado. “O Brasil não pode perder essa chance e se colocar numa disputa desigual com países que produzem soja transgênica e subsidiam sua agricultura, como os Estados Unidos”.

A 1ª. Conferência do Fórum sobre Soja Sustentável, que se realiza em Foz do Iguaçu, Paraná, reúne agricultores familiares, grandes produtores, ambientalistas, representantes de consumidores, indústrias e instituições internacionais de diversos países para discutir a questão da soja. A proposta do Fórum é estabelecer critérios mínimos de incremento do cultivo da soja sem degradar o meio ambiente e respeitando a diversidade social e cultural das populações agrícolas. Para o coordenador da Fetraf-Sul, o debate não pode ficar restrito a questão da soja, mas deve abrir caminho para a discussão de um novo modelo de produção agrícola. A Agricultura Familiar representa, hoje, 10% do Produto Interno Bruto nacional e 40% do PIB agropecuário. Sozinha, produz 25% de toda a soja brasileira. Mas, para Tortelli, o modelo da monocultura, que vem sendo adotado é inviável e vai levar a Agricultura Familiar para um buraco sem fundo: - “A monocultura é um dos motores não só da falência e da exclusão, mas também do empobrecimento dos agricultores, da concentração das terras e degradação do meio ambiente.

Tortelli lembra que desde que os agricultores familiares abandonaram o modelo de produção diversificada, optando pela monocultura da soja – especialmente - só se endividaram com financiamentos feitos para compra de insumos. Além disso, tornaram-se dependentes dos grandes complexos agro-industriais. Tortelli acredita que os desmatamentos feitos no Sul do País para o cultivo da soja, são os grandes responsáveis pela seca que a região vive este ano e que já causou um prejuízo de R$ 20 bilhões, na produção de soja, milho e arroz. “90% da produção de soja do Rio Grande do Sul estão prejudicados pela estiagem e os prejuízos foram maiores para quem plantou a soja transgênica”. Questionado sobre a rentabilidade da agricultura familiar e o que ela representa para a economia do país, Tortelli lançou um desafio: -“Visualizem o mapa de colonização do Brasil e comparem os modelos de desenvolvimento” . E ele garante: - “Nos municípios onde ainda há diversidade na produção agrícola, há mais distribuição de renda e qualidade de vida. Um bom exemplo são os municípios da Serra Gaúcha”.

 

Publicado el 18 de Marzo de 2005.

       

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